Os 5 tópicos de Contabilidade que mais caem em concursos de Tribunais
Contabilidade é a segunda matéria mais cobrada em concursos de Tribunais. São 203 questões catalogadas no banco do PlayConcurso — só perde para Administração Pública, que tem 530. O detalhe que muda tudo: quase metade dessas 203 questões se concentra em um único tópico. Se você não sabe qual é, está estudando errado.
Nos próximos parágrafos, vou mostrar os 5 tópicos que mais aparecem, o que as bancas realmente perguntam dentro de cada um e onde candidatos perdem ponto sem necessidade.
1. Contabilidade Pública — 99 questões
São 99 questões de 203. Isso representa 48,7% de tudo que já caiu. Quase metade da prova de Contabilidade se resolve dominando esse tópico.
Faz sentido. Tribunais lidam com orçamento público, prestação de contas, fiscalização. O servidor que entra precisa entender a lógica das contas públicas no primeiro dia.
O que estudar especificamente: MCASP (Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público), com foco no Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP), natureza da receita e despesa orçamentária, variações patrimoniais (quantitativas e qualitativas) e demonstrações contábeis do setor público — principalmente Balanço Orçamentário, Balanço Financeiro e Demonstração das Variações Patrimoniais.
Banca adora cobrar a diferença entre regime orçamentário (misto: caixa para receita, competência para despesa) e regime patrimonial (competência integral). Parece simples até você ter 4 alternativas parecidas na frente.
Não adianta ler o MCASP inteiro. Foque nos capítulos sobre procedimentos contábeis orçamentários e patrimoniais. O restante tem peso marginal nas provas.
2. Demonstrações Contábeis — 45 questões
Segundo lugar com 45 questões, 22,1% do total. Somando com Contabilidade Pública, esses dois tópicos cobrem mais de 70% das questões.
Aqui a banca mistura dois mundos: demonstrações do setor privado (CPC/Lei 6.404) e demonstrações do setor público (MCASP/NBC TSP). O candidato que não separa mentalmente os dois contextos se confunde rápido.
O que estudar especificamente: estrutura do Balanço Patrimonial (classificação de ativos e passivos, circulante versus não circulante), DRE (ordem de apresentação das contas, diferença entre lucro bruto, operacional e líquido), DFC (método direto e indireto) e DLPA.
Um ponto que pega muita gente: a DRA (Demonstração do Resultado Abrangente). Candidatos ignoram porque parece secundária. Bancas cobram justamente por isso.
Treine montar a estrutura das demonstrações de memória. Questão de prova não pede que você calcule. Pede que você saiba onde cada conta aparece.
3. Escrituração Contábil — 17 questões
Cai menos — 17 questões, 8,3% do total — mas tem uma característica perigosa: quem erra, erra por descuido, não por falta de conhecimento.
Lançamentos a débito e crédito, livros obrigatórios (Diário e Razão), fórmulas de lançamento (1ª, 2ª, 3ª e 4ª fórmulas), partidas dobradas. O conteúdo é básico. O problema é que o candidato acha que já sabe e não pratica.
O que estudar especificamente: as 4 fórmulas de lançamento (quantas contas a débito e a crédito em cada), erros de escrituração e seus métodos de correção (estorno, transferência, complementação), e a diferença entre atos e fatos contábeis.
Bancas gostam de dar um fato contábil e pedir o lançamento correto entre 5 opções. São questões de 30 segundos se você treinou, e de 4 minutos se precisa pensar. Em prova, essa diferença custa caro.
4. Patrimônio e Equação Patrimonial — 16 questões
16 questões, quase empatado com escrituração. Esse tópico é a base de tudo, e as bancas cobram de um jeito que parece fácil — até o candidato errar.
A equação patrimonial (Ativo = Passivo + PL) aparece disfarçada. A banca apresenta uma situação com vários fatos contábeis e pede o valor do patrimônio líquido no final. Ou pergunta se houve aumento ou redução do PL após determinada operação.
O que estudar especificamente: origens e aplicações de recursos, situações líquidas (positiva, negativa e nula), e como cada tipo de fato contábil (permutativo, modificativo ou misto) altera a equação.
Uma pegadinha clássica: compra de um bem à vista. O ativo total não muda — sai caixa, entra imobilizado. Candidatos marcam "aumento do ativo" por reflexo. Erram questão que deveriam acertar dormindo.
5. Análise de Balanço — 8 questões
Com 8 questões (3,9%), é o menos cobrado dos cinco. Mas aparece em provas de cargos de nível superior e de analista com frequência suficiente para não ser ignorado.
As bancas focam em índices. Liquidez corrente, seca, geral e imediata. Endividamento. Rentabilidade do patrimônio líquido. Não pedem cálculos complexos — pedem que você saiba interpretar.
O que estudar especificamente: fórmulas dos índices de liquidez e endividamento, análise vertical e horizontal, e o que cada resultado indica sobre a saúde financeira da entidade.
Decore as fórmulas — são poucas. A maioria das questões se resolve com uma divisão simples. O truque está em saber o que o resultado significa. Liquidez corrente de 0,8 não é só um número: significa que a entidade não cobre suas obrigações de curto prazo com o ativo circulante. A banca quer que você chegue nessa conclusão, não que apenas calcule 0,8.
O erro mais comum
Candidatos tratam Contabilidade como uma matéria só e distribuem o tempo de estudo igualmente entre todos os tópicos. Isso é um desperdício matemático.
Se 48,7% das questões caem em Contabilidade Pública e 22,1% em Demonstrações Contábeis, você deveria gastar pelo menos 70% do seu tempo de Contabilidade nesses dois tópicos. O candidato médio gasta talvez 30% — e investe horas em temas que rendem 3 ou 4 questões na prova.
Outro erro grave: estudar teoria sem resolver questões da banca específica do concurso. FCC cobra Contabilidade de um jeito. CESPE/Cebraspe cobra de outro. A FCC gosta de enunciados longos com cálculo. O CESPE gosta de certo/errado conceitual, onde uma palavra trocada muda tudo.
Ler resumo não é estudar. Assistir aula não é estudar. Estudar é resolver questão, errar, entender o erro, resolver de novo. O resto é preparação para estudar.
Um último ponto que vejo candidatos ignorando: o cruzamento entre Contabilidade e Administração Pública. São as duas matérias mais cobradas (530 e 203 questões, respectivamente). Tópicos como execução orçamentária e controle de gastos públicos transitam entre as duas. Quem estuda as duas de forma integrada ganha tempo e fixa melhor.
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